Até agora, o Proder apenas co-financiava sistemas energéticos para autoconsumo. Mas o Ministério da Agricultura garante que os próximos concursos destinados a apoiar a diversificação de actividades nas explorações agrícolas já irão possibilitar candidaturas à produção de energia para venda a partir de fontes renováveis. "Esta nova tipologia de investimento permitirá criar uma nova fonte de rendimento, aproveitando áreas não utilizadas das propriedades."
"É uma boa aposta para baixar custos de produção", diz o secretário-geral da Confederação dos Agricultores de Portugal (CAP), Luís Mira, acrescentando que os painéis fotovoltaicos poderiam ser "uma realidade mais comum" nos campos caso os agricultores "não estivessem limitados a produzir para consumo próprio e pudessem vender" à REN. "Não se perspectiva um lucro extra ao final do ano mas, pelo menos, seria possível compensar ou anular o custo energético das explorações." Segundo Luís Mira, os custos com electricidade e combustíveis já representam "mais de 20%" dos gastos numa exploração. "A modernização da agricultura portuguesa deveria passar por coisas inequivocamente úteis como a energia em vez de andarem preocupados com as culturas que devem ou não ser prioritárias."
A microprodução de energia eléctrica a partir de fontes renováveis poderá ajudar a "transformar os agricultores em empresários rurais", diversificando as suas fontes de receita e "compensando" a quebra do rendimento agrícola, defende o presidente da Associação dos Jovens Agricultores de Portugal (AJAP), Firmino Cordeiro, apontando o exemplo de um produtor de leite em Vila do Conde que colocou painéis solares em todos os edifícios da exploração. "Mesmo sem apoios avançou com o investimento e está a notar o efeito da diminuição dos custos de energia." Recordando as dificuldades de jovens escalão que abarca 2,9% num universo de 220 mil agricultores, "o valor mais baixo da Europa" -, o presidente da AJAP diz ser necessário um "grande empenho dos decisores políticos" para criar apoios à diversificação das actividades complementares à agricultura, como a produção de energia, turismo rural e valorização de produtos regionais. "Só assim se consegue evitar que mais jovens abandonem os espaços rurais e permitir que outros vejam nesta saída empreendedora uma possibilidade de regressarem à terra."
Para o presidente da Federação de Agricultores do Baixo Alentejo, Manuel Castro e Brito, por enquanto só se pode falar de "casos pontuais" de agricultores da região que aproveitam as renováveis.
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